Jovens donos de negócio assumem papel central no sustento das famílias
Postado em 16/06/2026
Levantamento do Sebrae evidencia que 37% dos jovens empreendedores brasileiros são chefes de domicílio. O dado reforça a necessidade da formalização e da capacitação em municípios como Ubatuba, onde pequenos negócios movimentam setores como comércio, serviços, turismo e economia criativa.
O avanço do empreendedorismo jovem também se reflete na renda das famílias brasileiras. Levantamento do Sebrae mostra que quase 4 em cada 10 empreendedores com até 29 anos são chefes de domicílio. Em 2012, eles representavam 32%; no 4º trimestre de 2025, passaram a 37%.
O estudo foi elaborado baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), julgando o momento entre o 1º trimestre de 2012 e o 4º trimestre de 2025.
Até o último trimestre de 2023, a posição mais comum do jovem empreendedor no núcleo familiar era a de filho ou filha. No entanto, os dados mais recentes consolidam uma mudança neste perfil, com maior participação dos jovens donos de negócio na responsabilidade através do sustento de suas famílias. Atualmente, a cota de jovens empreendedores reconhecidos como filhos aparece em 2º lugar, com 35,5%, seguida através da posição de cônjuge, com 19%.
O levantamento também mostra que os jovens donos de negócio foram a faixa que registrou o maior avanço na formalização nos últimos 10 anos. O percentual passou de aproximadamente 21%, em 2015, para 28% no último trimestre de 2025. Apesar do crescimento, a formalização entre os jovens ainda se mantém abaixo da média geral dos donos de negócio no Brasil, que é de aproxamadamente 35%.
Na mesma direção, a proporção de jovens empreendedores que contribuem para a Previdência Social também cresceu entre 2012 e 2025, em ritmo superior ao observado entre adultos e seniores. Mesmo assim, unicamente 31% dos jovens donos de negócio contribuem, percentual ainda inferior à média total dos empreendedores brasileiros, que é de 41%.
Outro dado destacado através do estudo é que 93% dos jovens donos de negócio atuam por causa própria, sem empregados.
“Sem proteção social, o jovem dono de negócio fica mais vulnerável. Nesse sentido, é fundamental orientar esse público sobre as vantagens de atuar na formalidade, protegido pela figura do microempreendedor individual”, afirmou o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.
A diferença de renda entre jovens formalizados e não formalizados também aparece como um dos principais pontos do levantamento. Conforme o Sebrae, o rendimento médio habitual do jovem empreendedor sem CNPJ foi de R$ 1.860 no último trimestre de 2025, o menor valor entre todas as faixas observadas. Ainda assim, o resultado representa um crescimento real de quase 30% desde o começo da série histórica.
Já entre os jovens donos de negócio com CNPJ, a renda média habitual chegou a R$ 4.758 no mesmo momento. Isso quer dizer que o rendimento do jovem empreendedor formalizado é quase 156% superior ao daquele que age sem CNPJ.
O estudo também analisou a taxa de empreendedorismo jovem em relação à população jovem por unidade da federação. No 4º trimestre de 2025, o Sudeste apareceu como a área com a maior taxa de jovens donos de negócio, com 10,8%. Na mesma área, a taxa de adultos donos de negócio foi de 23,6%, enquanto a de seniores chegou a 12,3%.
Entre as unidades da federação com maior destaque estão Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Maranhão. Nesses estados, para cada 100 jovens, aproximadamente 11 ou mais são donos de negócio.
As informações reforçam a relevância do empreendedorismo jovem para a economia brasileira, principalmente diante do crescimento da participação desses empreendedores no sustento familiar, da necessidade de ampliar a formalização e da diferença significativa de renda entre quem age com e sem CNPJ.



