{"id":16781,"date":"2026-06-26T13:54:56","date_gmt":"2026-06-26T13:54:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=16781"},"modified":"2026-06-26T17:21:10","modified_gmt":"2026-06-26T17:21:10","slug":"coluna-tecnologia-e-inclusao-sobre-o-braile-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=16781","title":{"rendered":"Coluna Tecnologia e inclus\u00e3o: Sobre o Braile no Brasil"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>por <em>Theago Liddell<\/em><\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar em como um livro comum chega at\u00e9 uma pessoa cega? Tudo iniciou l\u00e1 no s\u00e9culo XIX, na Fran\u00e7a, com um jovem chamado Louis Braille. Ele perdeu a vis\u00e3o na inf\u00e2ncia e, mais tarde, resolveu melhorar um sistema que o ex\u00e9rcito usava para ler mensagens no escuro. O cara simplesmente produziu uma combina\u00e7\u00e3o de seis pontinhos em relevo que mudou o mundo. De l\u00e1 para c\u00e1, o braile se adaptou a tudo: hoje tem braile para m\u00fasica, para matem\u00e1tica, qu\u00edmica e at\u00e9 para telas de computador, com uns aparelhos digitais fant\u00e1sticos que sobem e descem os pontinhos ao vivo.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, essa hist\u00f3ria iniciou em 1854, com a funda\u00e7\u00e3o do Instituto Benjamin Constant. Mas, mesmo depois de tanto tempo, a gente ainda esbarra em uns problemas absurdos quando o assunto \u00e9 o livro f\u00edsico.<\/p>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, um livro em braile n\u00e3o tem nada a ver com o que voc\u00ea v\u00ea nas estantes das livrarias. Como o papel precisa ser super grosso para os pontos n\u00e3o sumirem com o toque, e o espa\u00e7amento \u00e9 bem maior, as hist\u00f3rias viram verdadeiros trambolhos. Um romance comum que voc\u00ea l\u00ea numa sentada vira uma cole\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios volumes pesados e gigantescos, que ocupam prateleiras inteiras.<\/p>\n<p>S\u00f3 que tem um detalhe que quase ningu\u00e9m sabe: voc\u00ea n\u00e3o consegue entrar numa livraria no Brasil e comprar um livro em braile. Eles simplesmente n\u00e3o s\u00e3o vendidos. E o motivo disso \u00e9 uma regra bizarra de 1949 \u2014 a Portaria N\u00ba 504, assinada l\u00e1 na \u00e9poca do presidente Eurico Gaspar Dutra. A inten\u00e7\u00e3o at\u00e9 parecia boa na \u00e9poca: preservar que as institui\u00e7\u00f5es do governo distribu\u00edssem o material de gra\u00e7a. O problema \u00e9 que isso engessou o mercado.<\/p>\n<p>Como a lei jogou toda a responsabilidade para a gratuidade e para o governo, as editoras comerciais nunca tiveram incentivo ou espa\u00e7o para produzir e vender esses livros.<\/p>\n<p>O resultado disso \u00e9 p\u00e9ssimo. Quando a gente pro\u00edbe ou inviabiliza a venda, a gente tira da pessoa com defici\u00eancia visual o direito mais b\u00e1sico de todos: a autonomia de escolha. Um leitor cego n\u00e3o tem a liberdade de ir ao shopping, ver um lan\u00e7amento que est\u00e1 todo mundo comentando, comprar e trazer para casa. Ele fica ref\u00e9m de doa\u00e7\u00f5es, de bibliotecas p\u00fablicas que muitas vezes est\u00e3o defasadas ou da fila de espera de alguma institui\u00e7\u00e3o para transcrever a obra. Tratar a inclus\u00e3o s\u00f3 como caridade ou burocracia estatal, ao inv\u00e9s de dar independ\u00eancia de consumo para as pessoas, \u00e9 um atraso gigantesco que j\u00e1 passou da hora de mudar.<\/p>\n<p>Deseja compreender melhor os bastidores e o impacto real dessa proibi\u00e7\u00e3o no dia a dia? D\u00e1 uma olhada neste v\u00eddeo que explica tim-tim por tim-tim a hist\u00f3ria dessa lei:<\/p>\n<p>Por que \u00e9 proibida a venda de livros em braille no Brasil?<br \/>\n<iframe title=\"Por que \u00e9 proibida a venda de livros em braille no Brasil e como obter um Livro Acess\u00edvel?\" width=\"749\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tT18AUYxdnw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Theago Liddell Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar em como um livro comum chega at\u00e9 uma pessoa cega? Tudo iniciou l\u00e1 no s\u00e9culo XIX, na Fran\u00e7a, com um jovem chamado Louis Braille. 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