{"id":16527,"date":"2026-06-10T10:50:31","date_gmt":"2026-06-10T10:50:31","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=16527"},"modified":"2026-06-10T11:39:11","modified_gmt":"2026-06-10T11:39:11","slug":"fase-da-lua-pode-influenciar-ataques-de-tubarao-em-pernambuco-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=16527","title":{"rendered":"Fase da lua pode influenciar ataques de tubar\u00e3o em Pernambuco. Entenda"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Ambos ataques de tubar\u00e3o registrados em Pernambuco em um intervalo de pouco mais de 24 horas reacenderam o debate sobre os fatores que favorecem a ocorr\u00eancia desses incidentes no litoral do estado, que concentra a maioria dos casos registrados no Brasil.<\/p>\n<p> De acordo com o Comit\u00ea Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubar\u00f5es (Cemit), as v\u00edtimas mais recentes \u2014 correspondentes aos 83\u00ba e 84\u00ba registros da s\u00e9rie hist\u00f3rica \u2014 foram Jo\u00e3o Lucas Nem\u00e9zio Sales, de 11 anos, atacado na Praia de Piedade, em Jaboat\u00e3o dos Guararapes, e Marcela Vit\u00f3ria de Lima Santos, de 19, mordida na Praia de Boa Viagem, no Recife.<\/p>\n<p> Em 31 de maio, Jo\u00e3o Lucas foi atacado por um tubar\u00e3o-cabe\u00e7a-chata na Praia de Piedade. Ele sofreu ferimentos graves na coxa e na m\u00e3o esquerda e precisou amputar a perna esquerda. Menos de 24 horas depois, Marcela Vit\u00f3ria foi mordida por um tubar\u00e3o-tigre na Praia de Boa Viagem, na zona sul do Recife. Ela sofreu machucados severas na perna direita e tamb\u00e9m teve o membro amputado.<\/p>\n<p>  Ambos os casos ocorreram durante um momento de Lua Azul, nome dado \u00e0 segunda lua cheia registrada em um mesmo m\u00eas.<\/p>\n<p> Embora pesquisadores ressaltem que a fase lunar, isoladamente, n\u00e3o explica os ataques, estudos e orienta\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis atrav\u00e9s do monitoramento dos incidentes indicam que as fases de lua nova e lua cheia merecem aten\u00e7\u00e3o especial por estarem associadas \u00e0s mar\u00e9s de siz\u00edgia, quando a mar\u00e9 sobe mais e tamb\u00e9m baixa mais do que o normal, aumentando a diferen\u00e7a entre os n\u00edveis da \u00e1gua no espa\u00e7o do dia.<\/p>\n<p> O Cemit destaca que a mar\u00e9 alta \u00e9 um dos fatores que podem aumentar o risco de encontros entre tubar\u00f5es e banhistas. Nessas condi\u00e7\u00f5es, os animais conseguem se aproximar mais da costa, enquanto regi\u00f5es normalmente protegidas pelos arrecifes ficam mais acess\u00edveis.<\/p>\n<p> Apesar dessa rela\u00e7\u00e3o, a literatura cient\u00edfica aponta que os ataques registrados em Pernambuco resultam de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores ambientais, geogr\u00e1ficos e humanos acumulados no espa\u00e7o de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p> Impacto ambiental Entre as hip\u00f3teses mais discutidas est\u00e1 o impacto ambiental provocado atrav\u00e9s da funda\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do Porto de Suape, localizado entre os munic\u00edpios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho.<\/p>\n<p> Constru\u00eddo na d\u00e9cada de 1970 e inaugurado de forma oficial em 1983, o complicado portu\u00e1rio promoveu altera\u00e7\u00f5es significativas na paisagem costeira da \u00e1rea.<\/p>\n<p> Pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atrav\u00e9s do pr\u00f3prio Cemit apontam que a abertura de canais de navega\u00e7\u00e3o, obras de dragagem e a supress\u00e3o de regi\u00f5es de manguezal modificaram habitats costeiros e podem ter alterado rotas usadas por esp\u00e9cies marinhas, incluindo tubar\u00f5es.<\/p>\n<p>  Um dos estudos mais citados sobre o tema, \u201cShark Attacks in Recife, Brazil: Analysis of Incidents and Possible Causes\u201d, postado em 2008 atrav\u00e9s do pesquisador F\u00e1bio Hazin e colaboradores, relaciona essas mudan\u00e7as ambientais ao aumento dos encontros entre tubar\u00f5es e seres humanos na faixa litor\u00e2nea da \u00e1rea metropolitana do Recife.<\/p>\n<p> A expans\u00e3o urbana no litoral sul da \u00e1rea metropolitana do Recife tamb\u00e9m \u00e9 destacada como um elemento importante para compreender o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p> O estudo \u201cDin\u00e2micas de urbaniza\u00e7\u00e3o litor\u00e2nea e a problem\u00e1tica habitacional no litoral sul de Pernambuco\u201d, desenvolvido por pesquisadores da UFPE e da UFRPE, mostra como a ocupa\u00e7\u00e3o intensiva da costa transformou a rela\u00e7\u00e3o entre popula\u00e7\u00e3o e ambiente marinho nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p> Para os especialistas, o aumento do n\u00famero de pessoas frequentando regi\u00f5es consideradas de risco elevou a probabilidade de encontros entre humanos e tubar\u00f5es.<\/p>\n<p>  Configura\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica Outro fator destacado citado por pesquisadores \u00e9 a pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do litoral pernambucano.<\/p>\n<p> Entre as praias de Boa Viagem e Piedade existem canais naturais relativamente profundos localizados pr\u00f3ximos \u00e0 faixa de areia. Essas forma\u00e7\u00f5es funcionam como corredores de circula\u00e7\u00e3o para diversas esp\u00e9cies marinhas, permitindo que tubar\u00f5es se aproximem da costa.<\/p>\n<p> Relat\u00f3rios t\u00e9cnicos do Cemit e pesquisas desenvolvidas por cientistas da UFRPE indicam que, em determinados trechos, a profundidade aumenta rapidamente poucos metros depois de a arrebenta\u00e7\u00e3o. Essa caracter\u00edstica favorece a circula\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies como o tubar\u00e3o-tigre e o tubar\u00e3o-cabe\u00e7a-chata, respons\u00e1veis atrav\u00e9s da maior parte dos ataques graves registrados no estado.<\/p>\n<p> A presen\u00e7a dos arrecifes tamb\u00e9m influencia a din\u00e2mica dos incidentes. Muitos ataques ocorreram fora da barreira natural composta pelos recifes, onde a profundidade aumenta rapidamente e os animais encontram condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para deslocamento.<\/p>\n<p> A proximidade de desembocaduras de rios, como o Capibaribe, o Beberibe, o Jaboat\u00e3o e o Pirapama, \u00e9 outro elemento destacado por pesquisadores. Essas regi\u00f5es concentram peixes e outros organismos que servem de alimento para os tubar\u00f5es, atraindo os animais para regi\u00f5es mais pr\u00f3ximas da costa.<\/p>\n<p> Comportamento humano O comportamento dos banhistas tamb\u00e9m entra na equa\u00e7\u00e3o e \u00e9 tido um dos elementos mais importantes na preven\u00e7\u00e3o dos ataques.<\/p>\n<p> As praias de Boa Viagem, Pina e Piedade contam com placas de alerta em pontos considerados de maior risco. De acordo com o Governo de Pernambuco, aproxamadamente 80 placas orientam os frequentadores a impedir locais perigosos e a seguir recomenda\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>  Da mesma forma, ultrapassar a linha dos arrecifes naturais coloca o banhista em uma \u00e1rea mais profunda e frequentemente usada por tubar\u00f5es para circula\u00e7\u00e3o. Permanecer na \u00e1gua durante momentos de mar\u00e9 alta tamb\u00e9m exige aten\u00e7\u00e3o redobrada.<\/p>\n<p> As chuvas representam outro fator de risco. A \u00e1gua turva, comum depois de momentos de chuva intensa, diminui a visibilidade tanto dos animais quanto dos banhistas e pode dificultar a reconhecimento de apreendidas.<\/p>\n<p> As chuvas tamb\u00e9m aumentam o volume de \u00e1gua doce e de mat\u00e9ria org\u00e2nica despejada no mar por rios e canais, alterando momentaneamente o ambiente costeiro.<\/p>\n<p><i>Com informa\u00e7\u00f5es Metropoles<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ambos ataques de tubar\u00e3o registrados em Pernambuco em um intervalo de pouco mais de 24 horas reacenderam o debate sobre os fatores que favorecem a ocorr\u00eancia desses incidentes no litoral do estado, que concentra a maioria dos casos registrados no Brasil. 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