{"id":15411,"date":"2026-04-07T02:52:27","date_gmt":"2026-04-07T02:52:27","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=15411"},"modified":"2026-04-07T03:01:42","modified_gmt":"2026-04-07T03:01:42","slug":"a-praia-mais-poluida-do-rio-em-2025-nao-e-a-que-voce-imagina-e-fica-em-area-nobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=15411","title":{"rendered":"A praia mais polu\u00edda do Rio em 2025 n\u00e3o \u00e9 a que voc\u00ea imagina e fica em \u00e1rea nobre"},"content":{"rendered":"<p>A paisagem \u00e9 uma das mais fotografadas do Brasil, mas a realidade da \u00e1gua conta outra hist\u00f3ria. Dados oficiais do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) colocam a Praia de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, como a mais polu\u00edda do estado em 2025, com \u00edndice praticamente zerado de balneabilidade no decurso de todo o ano.<\/p>\n<p>O levantamento utiliza o Percentual de Boletins Pr\u00f3prios (PBP) \u2014 indicador que mede a frequ\u00eancia com que a \u00e1gua \u00e9 considerada adequada para banho. No caso de Botafogo, o resultado \u00e9 cr\u00edtico: a praia permaneceu impr\u00f3pria na quase totalidade das medi\u00e7\u00f5es, consolidando um cen\u00e1rio de polui\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 em um conjunto de fatores estruturais. A praia est\u00e1 inserida na Ba\u00eda de Guanabara, que historicamente sofre com despejo de esgoto, baixa circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e ac\u00famulo de poluentes. Mesmo com projetos de despolui\u00e7\u00e3o no decurso das \u00faltimas d\u00e9cadas, os avan\u00e7os ainda n\u00e3o foram suficientes para reverter o quadro.<\/p>\n<p>No caso de Botafogo, o resultado \u00e9 cr\u00edtico: a praia permaneceu impr\u00f3pria na quase totalidade das medi\u00e7\u00f5es (Wikimedia Commons)<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m tem uma eleita como mais polu\u00edda: A Praia do Perequ\u00ea, no litoral de Guaruj\u00e1, esteve impr\u00f3pria para banho em 98% das semanas de 2024, segundo monitoramento da CETESB.<\/p>\n<p>Apesar do \u00edndice elevado de contamina\u00e7\u00e3o, a faixa de areia continua recebendo visitantes no decurso do ano, atra\u00eddos atrav\u00e9s da paisagem e atrav\u00e9s da oferta gastron\u00f4mica local.<\/p>\n<p>Outras regi\u00f5es cr\u00edticas no estado<\/p>\n<p>Embora Botafogo seja o caso mais emblem\u00e1tico \u2014 justamente por estar em \u00e1rea nobre e tur\u00edstica \u2014 o problema da balneabilidade no Rio \u00e9 mais amplo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio mostra que existe outros pontos com desempenho igualmente preocupante:<\/p>\n<p>\tIlha do Governador: diversas praias com PBP pr\u00f3ximo de 0%, evidenciando contamina\u00e7\u00e3o recorrente<br \/>\n\tSepetiba e Zona Oeste: trechos com baixa qualidade persistente, particularmente em regi\u00f5es menos urbanizadas, mas com pouca infraestrutura de saneamento<br \/>\n\tRegi\u00f5es da Ba\u00eda de Guanabara como um todo concentram os piores \u00edndices do estado<br \/>\n\t\u00a0<\/p>\n<p>Esses locais t\u00eam em comum a proximidade com canais de esgoto, rios polu\u00eddos e baixa renova\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, o que favorece a prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Do outro lado: as praias mais limpas do Rio em 2025<\/p>\n<p>Se por um lado existe regi\u00f5es cr\u00edticas, o levantamento tamb\u00e9m mostra um contraste importante: o litoral fluminense abriga algumas das praias mais limpas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre os destaques positivos est\u00e3o:<\/p>\n<p>\tPraia de Grumari (Zona Oeste do Rio)<br \/>\n\tPrainha (Zona Oeste)<br \/>\n\tPraias da \u00c1rea dos Lagos, como em Arraial do Cabo e Cabo Frio<br \/>\n\tTrechos de Angra dos Reis e Paraty, na Costa Verde<\/p>\n<p>Esses locais registraram \u00edndices pr\u00f3ximos ou iguais a 100% de balneabilidade no decurso do ano, ou seja, estiveram pr\u00f3prios para banho praticamente em todas as medi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, segundo os dados de pesquisa, as praias que est\u00e3o entre as mais limpas registram a menor presen\u00e7a de micropl\u00e1stico: Ubatumirim &#8211; Ubatuba (1,6 por metro quadrado), Camburi &#8211; Guaruj\u00e1 (1,5 por metro quadrado) e Itaguar\u00e9 &#8211; Bertioga (1,0 por metro quadrado).<\/p>\n<p>O diferencial dessas praias est\u00e1 em fatores ambientais e urbanos:<\/p>\n<p>\tMenor densidade populacional<br \/>\n\tPreserva\u00e7\u00e3o ambiental<br \/>\n\tMaior circula\u00e7\u00e3o de correntes mar\u00edtimas, que ajudam na renova\u00e7\u00e3o da \u00e1gua<br \/>\n\tMenor impacto de redes de esgoto<\/p>\n<p>Grumari e Prainha, por exemplo, s\u00e3o regi\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o ambiental, com acesso mais controlado \u2014 o que contribui diretamente para a qualidade da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Praia de Grumari, na Zona Oeste do Rio, \u00e9 a praia mais limpa do estado (Wikimedia Commons)<\/p>\n<p>Um retrato desigual da qualidade da \u00e1gua<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do INEA escancara um cen\u00e1rio de contraste no estado: de um lado, praias urbanas densamente ocupadas, com hist\u00f3rico de polui\u00e7\u00e3o e infraestrutura insuficiente; do outro, regi\u00f5es preservadas ou menos ocupadas, com qualidade de \u00e1gua excelente e consistente.<\/p>\n<p>Essa desigualdade evidencia um problema estrutural: o avan\u00e7o urbano sem saneamento ideal ainda impacta diretamente a balneabilidade das praias mais centrais.<\/p>\n<p>Riscos e dire\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico<\/p>\n<p>Entrar no mar em locais com baixa balneabilidade n\u00e3o \u00e9 somente uma quest\u00e3o est\u00e9tica \u2014 envolve riscos reais \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Entre os principais problemas associados est\u00e3o:<\/p>\n<p>\tInfec\u00e7\u00f5es gastrointestinais<br \/>\n\tIrrita\u00e7\u00f5es na pele e nos olhos<br \/>\n\tDoen\u00e7as causadas por bact\u00e9rias e v\u00edrus presentes na \u00e1gua contaminada<\/p>\n<p>Por isso, a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: sempre verificar os boletins de balneabilidade antes de entrar no mar, particularmente em praias urbanas.<\/p>\n<p>O desafio que persiste<\/p>\n<p>Apesar de avan\u00e7os pontuais, os dados de 2025 mostram que o Rio de Janeiro ainda enfrenta um desafio hist\u00f3rico: universalizar o saneamento b\u00e1sico e diminuir a polui\u00e7\u00e3o costeira.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o ocorre, o contraste se mant\u00e9m \u2014 e simb\u00f3lico: uma das vistas mais bonitas do Brasil abriga tamb\u00e9m a praia mais polu\u00edda do estado.<\/p>\n<p><i>Com informa\u00e7\u00f5es do Diario do Litoral<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paisagem \u00e9 uma das mais fotografadas do Brasil, mas a realidade da \u00e1gua conta outra hist\u00f3ria. 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