{"id":14450,"date":"2026-02-23T10:55:04","date_gmt":"2026-02-23T10:55:04","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=14450"},"modified":"2026-02-23T10:55:16","modified_gmt":"2026-02-23T10:55:16","slug":"medico-troca-jaleco-por-trilhas-para-mapear-oncas-no-cerrado-goiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=14450","title":{"rendered":"M\u00e9dico troca jaleco por trilhas para mapear on\u00e7as no Cerrado goiano"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>M\u00e9dico urologista, Leandro Carvalho Vitorino, de 45 anos, troca o jaleco e o estetosc\u00f3pio pelas botinas de trilha e c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas nos dias de folga, quando deixa Goi\u00e2nia (GO) na dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Serra dos Pireneus, localizada entre os munic\u00edpios de Piren\u00f3polis, Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s e Cocalzinho de Goi\u00e1s, para monitorar a vida selvagem na \u00e1rea.<\/p>\n<p> \u201cComecei em 2009, fotografando a flora da regi\u00e3o, assim como as aves, insetos e peixes atrav\u00e9s da fotografia subaqu\u00e1tica em apneia. Durante os anos fui observando pegadas de animais, entre elas as de on\u00e7a-pintada\u201d, conta o m\u00e9dico.<\/p>\n<p> Em 2017, Leandro instalou as primeiras armadilhas fotogr\u00e1ficas. Desde ent\u00e3o, ele afirma ter registrado 37 sujeitos de on\u00e7as-pintadas na \u00e1rea, incluindo filhotes. \u201c\u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, vi\u00e1vel geneticamente, mas que tamb\u00e9m sofre em algumas \u00e1reas pelo conflito com seres humanos. Assim como os desafios que os grandes felinos enfrentam em todo o planeta\u201d, diz. Existe nove anos, ele acompanha e registra as on\u00e7as vivendo livres na natureza.<\/p>\n<p> Adapta\u00e7\u00e3o das on\u00e7as No espa\u00e7o dos anos de monitoramento, Leandro diz ter sido surpreendido por descobertas que mudaram sua percep\u00e7\u00e3o sobre o comportamento dos animais.<\/p>\n<p> Segundo ele, as on\u00e7as demonstram alta capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a humana, tanto de turistas quanto de moradores da zona rural. \u201cS\u00e3o extremamente t\u00edmidas. Evitam contato e utilizam tanto \u00e1reas preservadas quanto propriedades privadas para percorrer longas dist\u00e2ncias\u201d, explica.<\/p>\n<p> O trabalho tamb\u00e9m revelou a necessidade da Serra dos Pireneus como corredor ecol\u00f3gico. Registros indicam que a \u00e1rea conecta popula\u00e7\u00f5es de on\u00e7a-pintada ao Planalto Central, \u00e0 Serra da Mesa e ao Vale do Araguaia. Uma das on\u00e7as fotografadas por ele reapareceu em c\u00e2mera instalada por outro pesquisador no Parque Nacional de Bras\u00edlia. Outra, monitorada por colar eletr\u00f4nico no Mato Grosso, passou atrav\u00e9s da \u00e1rea perto da Piren\u00f3polis.<\/p>\n<p> As armadilhas fotogr\u00e1ficas de Leandro tamb\u00e9m captaram esp\u00e9cies raras, como o tatu-canastra \u2014 considerado o maior tatu do mundo \u2014 e o cachorro-vinagre, destacado como o can\u00eddeo mais amea\u00e7ado do Brasil.<\/p>\n<p>      Leia tamb\u00e9m      \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t \t\t\t\t         \t\t\t\t\t \t\t\t\t \t\t\t         Do hobby \u00e0 pesquisa A paix\u00e3o do m\u00e9dico atrav\u00e9s da natureza iniciou na inf\u00e2ncia, quando ele colecionava livros sobre animais e decorava nomes de aves, r\u00e9pteis e mam\u00edferos. Mas foi somente na faculdade de medicina, em 1999, que Leandro conseguiu comprar as primeiras c\u00e2meras amadoras. Anos depois, j\u00e1 composto, adquiriu o primeiro equipamento profissional. \u201cFoi quando iniciei meu hobby t\u00e3o sonhado\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p> A rela\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea se fortaleceu com o aux\u00edlio de um trabalho volunt\u00e1rio, com doa\u00e7\u00e3o de roupas e rem\u00e9dios, consultas e pequenas cirurgias sem custo para moradores da zona rural. A confian\u00e7a constru\u00edda abriu caminho para que ele explorasse os boqueir\u00f5es, trilhas e cavernas da serra.<\/p>\n<p> Em 2019, incentivado atrav\u00e9s da cunhada, Leandro produziu a p\u00e1gina Bichos dos Pireneus, onde compartilha registros de seu acervo. As imagens chamaram aten\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cLeandro Silveira, do Instituto On\u00e7a-Pintada, entrou em contato comigo e iniciamos uma amizade e parceria\u201d, conta ele. Em 2022, o m\u00e9dico passou a integrar o grupo de pesquisadores On\u00e7as do Cerrado, que estudam as on\u00e7as pintadas do bioma.<\/p>\n<p> Hoje, Leandro age como colaborador volunt\u00e1rio no levantamento de fauna do Parque Estadual dos Pireneus, com autoriza\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Semad) e dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do instituto.<\/p>\n<p> M\u00e9todos de registro de imagens Ele \u00e9 respons\u00e1vel por ir a campo e captar as imagens e informa\u00e7\u00f5es sobre a fauna. \u201cUsamos como metodologia de pesquisa de campo armadilhas fotogr\u00e1ficas, est\u00fadios de selva, registros com c\u00e2meras na m\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de pegadas, marcas, cheiros e fezes dos animais, al\u00e9m das carca\u00e7as abatidas. Tamb\u00e9m utilizamos o colar GPS como ferramenta de pesquisa\u201d, explica.<\/p>\n<p> O trabalho continua em redes sociais, na p\u00e1gina que re\u00fane quase 15 mil seguidores. A p\u00e1gina traz uma linguagem simples para que a sociedade n\u00e3o cient\u00edfica possa compreender, se sensibilizar atrav\u00e9s da causa conservacionista, valorizar a \u00e1rea e os animais. Por isso, ela \u00e9 um canal de educa\u00e7\u00e3o ambiental entregue diretamente a todos que queiram aprender, apreciar a natureza e se encantar por esses animais incr\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p> Al\u00e9m do trabalho de campo e da atua\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria nas pesquisas, Leandro tamb\u00e9m re\u00fane registros de quase duas d\u00e9cadas de expedi\u00e7\u00f5es em um projeto pessoal: um livro com mais de 300 p\u00e1ginas dedicadas \u00e0 vida selvagem da Serra dos Pireneus, com imagens consideradas in\u00e9ditas da fauna local.<\/p>\n<p> O projeto, ainda assim, ainda n\u00e3o saiu do papel. \u201cTenho o livro pronto, com fotos incr\u00edveis da vida selvagem da Serra, mas me faltam recursos para produzir\u201d, afirma.<\/p>\n<p> On\u00e7as s\u00e3o \u201cterm\u00f4metro ambiental\u201d Para Leandro, a presen\u00e7a da on\u00e7a-pintada em toda a \u00e1rea da Serra dos Pireneus, incluindo o munic\u00edpio de Piren\u00f3polis, funciona como um term\u00f4metro ambiental.<\/p>\n<p> O maior felino das Am\u00e9ricas ocupa o topo da cadeia alimentar e exige grandes regi\u00f5es preservadas para sobreviver. Onde existe on\u00e7a, explica o m\u00e9dico, existe \u00e1gua, detidas, cobertura vegetal e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p> Apesar disso, as amea\u00e7as s\u00e3o incessantes. Entre as principais, est\u00e3o o conflito com criadores de gado, a perda de habitat, a ca\u00e7a e os atropelamentos em estradas que cortam a \u00e1rea. Para ele, ainda assim, o maior desafio ainda \u00e9 a falta de consci\u00eancia sobre a necessidade do animal.<\/p>\n<p> \u201cProteger a on\u00e7a no seu habitat \u00e9 proteger toda a cadeia ecol\u00f3gica. Ela \u00e9 s\u00edmbolo da biodiversidade brasileira. Onde ela est\u00e1 significa que o ecossistema ainda est\u00e1 funcionando.\u201d<\/p>\n<p><i>Com informa\u00e7\u00f5es Metropoles<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dico urologista, Leandro Carvalho Vitorino, de 45 anos, troca o jaleco e o estetosc\u00f3pio pelas botinas de trilha e c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas nos dias de folga, quando deixa Goi\u00e2nia (GO) na dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Serra dos Pireneus, localizada entre os munic\u00edpios de Piren\u00f3polis, Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s e Cocalzinho de Goi\u00e1s, para monitorar a vida selvagem na \u00e1rea.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14451,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[135,1547],"class_list":["post-14450","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-brasil","tag-brasil","tag-zzmoscay"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14450","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14450"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14450\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14455,"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14450\/revisions\/14455"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}