{"id":10082,"date":"2025-06-28T21:04:43","date_gmt":"2025-06-28T21:04:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/2025\/06\/28\/chuvas-no-rs-area-rural-faz-bolo-de-1-ano-sem-reconstrucao-de-ponte\/"},"modified":"2025-09-17T11:00:39","modified_gmt":"2025-09-17T11:00:39","slug":"chuvas-no-rs-area-rural-faz-bolo-de-1-ano-sem-reconstrucao-de-ponte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioubatuba.com.br\/?p=10082","title":{"rendered":"Chuvas no RS: \u00e1rea rural faz bolo de 1 ano sem reconstru\u00e7\u00e3o de ponte"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>As comunidades rurais de S\u00edtio dos Melos, S\u00edtio Alto, Santos Anjos, localizadas em Faxinal do Soturno, e de Ivor\u00e1, no Rio Grande do Sul, vivem existe pouco mais de um ano em situa\u00e7\u00e3o de isolamento, desde que a ponte no Km 32 da ERS-348 foi levada pelas enchentes de maio de 2024. Agora, o estado ga\u00facho sofre de novo com as inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A estrutura ligava os dois munic\u00edpios da zona central do Rio Grande do Sul e era fundamental para o acesso a servi\u00e7os essenciais. Compostas por pequenos agricultores, as comunidades dependem da estrada para chegar \u00e0 cidade, escoar a produ\u00e7\u00e3o e manter atividades b\u00e1sicas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5>Leia tamb\u00e9m<\/h5>\n<ul>\n<li>                                                Brasil<br \/>\n<h6>             Cidade no RS tem enchente pior que a de 2024: \u201cSensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia\u201d           <\/h6>\n<\/li>\n<li>                                                Brasil<br \/>\n<h6>             RS: rios sobem e preocupam cidades j\u00e1 afetadas por enchentes de 2024           <\/h6>\n<\/li>\n<li>                                                Brasil<br \/>\n<h6>             Morre her\u00f3i do momento das enchentes no Rio Grande do Sul           <\/h6>\n<\/li>\n<li>                                                Brasil<br \/>\n<h6>             Beb\u00ea resgatado de helic\u00f3ptero durante enchente no RS morre depois de 1 ano           <\/h6>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>No come\u00e7o, a comunidade buscou alternativas, conta Alceu Barchet, morador de S\u00edtio dos Melos. \u201cColocamos um barco nosso para fazer a travessia, porque depend\u00edamos do acesso para buscar rem\u00e9dios, roupa, comida. Depois, conseguimos montar uma travessia com madeira, eucalipto\u201d, relembra o agricultor, de 67 anos.<\/p>\n<p>Segundo ele, o Ex\u00e9rcito chegou a instalar uma ponte provis\u00f3ria sobre o Rio Guarda-Mor, que banha a \u00e1rea, mas ela era retirada sempre que havia previs\u00e3o de chuva. \u201cFic\u00e1vamos isolados. E assim fomos levando, sempre com promessas do governo estadual de que a obra de reconstru\u00e7\u00e3o da ponte ia come\u00e7ar, mas passou mais de um ano e nada foi feito\u201d, reclama.<\/p>\n<h3>Enchente de 2024<\/h3>\n<ul>\n<li>A maior enchente j\u00e1 registrada no Rio Grande do Sul, entre abril e maio de 2024, deixou um rastro de destrui\u00e7\u00e3o por todo o estado.<\/li>\n<li>Com 183 mortes confirmadas e 27 pessoas ainda desaparecidas, a trag\u00e9dia afetou diretamente a vida de mais de 800 mil ga\u00fachos.<\/li>\n<li>Dos 497 munic\u00edpios, 484 foram atingidos pelas \u00e1guas, que invadiram casas, com\u00e9rcios, pistas, est\u00e1dios e equipamentos p\u00fablicos essenciais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Foi ent\u00e3o que, no domingo (22\/6), os moradores das cinco comunidades decidiram se unir \u00e0s margens do rio, onde a nova ponte necessitaria estar. Eles levaram bal\u00f5es, cartazes e um bolo para marcar o ano de espera atrav\u00e9s da reconstru\u00e7\u00e3o da estrada.<\/p>\n<p>\u201cSurgiu a ideia do bolo [de anivers\u00e1rio] como \u2018homenagem\u2019 a um ano de espera e sacrif\u00edcio. A gente quis tamb\u00e9m homenagear a uni\u00e3o entre as comunidades. Foi uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. Nosso objetivo era mostrar \u00e0s autoridades a nossa depend\u00eancia dessa travessia. O nosso objetivo \u00e9 bem claro: alcan\u00e7ar a ponte, n\u00e3o importa de que lado pol\u00edtico seja. A obra \u00e9 urgente\u201d, reivindica Alceu.<\/p>\n<p> 3 imagensFechar modal.1 de 3<\/p>\n<p>Arquivo pessoal cedido ao Metr\u00f3poles2 de 3<\/p>\n<p>Arquivo pessoal cedido ao Metr\u00f3poles3 de 3<\/p>\n<p>Arquivo pessoal cedido ao Metr\u00f3poles <\/p>\n<p>O objetivo era pressionar o governo estadual a cumprir o comprometimento de come\u00e7ar imediatamente a constru\u00e7\u00e3o da nova ponte, cuja conclus\u00e3o havia sido prometida, inicialmente, para o final deste ano.<\/p>\n<h4>Preju\u00edzos para as comunidades<\/h4>\n<p>O agricultor Alceu conta que os moradores da \u00e1rea rural dependem da ponte no Km 32 da ERS-348 para tudo: \u201cLevar nossos produtos, acessar sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o\u2026 Toda a parte social e a economia da comunidade est\u00e3o sendo afetadas todos os dias.\u201d<\/p>\n<p>Laura Meneghetti, de 8 anos mora em S\u00edtio dos Melos, mas estuda na Escola S\u00e3o Domingo S\u00e1vios, em Santos Anjos. A m\u00e3e dela, Liza Meneghetti, alega que, para a filha conseguir ir \u00e0 aula sem a ponte, \u00e9 preciso atravessar dois rios em uma rota alternativa.<\/p>\n<p>\u201cA gente ainda continua sem a ponte, mas consegue sair da comunidade por rotas alternativas para trabalhar e levar as crian\u00e7as \u00e0 escola \u2014 s\u00f3 que com muita dificuldade. O acesso est\u00e1 horr\u00edvel. Precisamos atravessar dois rios, o que torna tudo muito complicado, e as crian\u00e7as ficaram v\u00e1rios dias sem aula por causa da enchente\u201d, relata Liza.<\/p>\n<p><strong>Veja:<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a professora Jeruza Bulegon, a falta da ponte tamb\u00e9m impede o socorro feito por ambul\u00e2ncias na \u00e1rea. \u201cAconteceu de pessoas terem de ser carregadas de ca\u00e7amba at\u00e9 uma parte do trajeto em que fosse poss\u00edvel encontrar a ambul\u00e2ncia, porque n\u00e3o tem por onde passar\u201d, conta.<\/p>\n<p>Jeruza explica que, quando o desvio est\u00e1 intransit\u00e1vel, o trajeto entre Ivor\u00e1 e Faxinal do Soturno pode chegar a mais de 50 km. \u201cE, se algu\u00e9m fica doente muitas vezes, acaba falecendo antes de o socorro chegar. \u00c9 tudo muito longe e, em alguns trechos, n\u00e3o passam dois carros. Fica muito complicado\u201d, lamenta.<\/p>\n<h4>Chuvas 2025 reacendem alerta<\/h4>\n<p>Com a chegada de um novo momento chuvas intensas no estado, comuns entre os meses de abril e julho, e a volta das consequ\u00eancias dos temporais e alagamentos, as comunidades rurais banhadas atrav\u00e9s da bacia do Rio Guarda-Mor e que tentam ainda se recuperar das enchentes de 2024, voltam a se sentir vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Alceu conta que a cheia recente prejudicou ainda mais os agricultores da \u00e1rea, j\u00e1 que, desde o ano passado, produtos da lavoura e \u00e1rvores est\u00e3o no leito do Rio dos Melos, que irriga a \u00e1rea. A \u00e1gua encerrou sendo redirecionada pelos rejeitos.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cTodo o material que saiu das lavouras, das margens que a gente tinha arborizado, foi parar no leito. O que acabou abrindo v\u00e1rios outros caminhos e, agora, a \u00e1gua passa pelo meio das terras. Vamos depender de m\u00e1quinas pesadas para poder restaurar nossas pequenas lavouras, mas como \u00e9 que vai entrar, se nem estrada tem?\u201d, questiona.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Apesar disso, o agricultor afirma que outra grande preocupa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a chegada do ver\u00e3o, entre dezembro e mar\u00e7o. \u201cComo \u00e9 um rio pequeno e sem leito definido, a chance de faltar \u00e1gua \u00e9 enorme. Vamos ser muito prejudicados na irriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo que estamos prevendo.\u201d<\/p>\n<p>O segmento alternativo que junta os munic\u00edpios de Ivor\u00e1 e S\u00e3o Jo\u00e3o do Pol\u00easine a Faxinal do Soturno est\u00e1 intransit\u00e1vel no momento, j\u00e1 que o desvio feito atrav\u00e9s do Departamento Aut\u00f4nomo de Estradas de Rodagem (Daer) foi levado pelas \u00e1guas das fortes chuvas que atingiram o estado na \u00faltima semana.<\/p>\n<h4>O que diz o governo estadual<\/h4>\n<p>O <strong>Metr\u00f3poles<\/strong> procurou o governo do Rio Grande do Sul para esclarecer a situa\u00e7\u00e3o da ponte no Km 32 da ERS-348, levada atrav\u00e9s da enchente de 2024.<\/p>\n<p>Entre os perguntas enviados \u00e0 gest\u00e3o estadual est\u00e3o o atual status da reconstru\u00e7\u00e3o da ponte na ERS-348, o motivo de ela ainda n\u00e3o ter sido iniciada e quais medidas est\u00e3o sendo tomadas para preservar o acesso das popula\u00e7\u00f5es at\u00e9 a conclus\u00e3o da obra.<\/p>\n<p>Em resposta, o Departamento Aut\u00f4nomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que as obras da ponte da ERS-348, no Km 32, em Faxinal do Soturno, est\u00e3o previstas para come\u00e7ar no segundo semestre de 2025, com conclus\u00e3o estimada at\u00e9 o final de 2026.<\/p>\n<p>O investimento para a nova estrutura, que ter\u00e1 120 metros de extens\u00e3o, m\u00e3o dupla, e ser\u00e1 2,5 metros mais alta do que a anterior, \u00e9 de R$ 11,7 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O projeto, que segundo o departamento foi entregue \u00e0 comiss\u00e3o de engenheiros respons\u00e1vel atrav\u00e9s da an\u00e1lise t\u00e9cnica, \u00e9 baseado em estudos hidrol\u00f3gicos do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), \u201cque consideram os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o risco de eventos extremos, como os registrados em 2024, para que, futuramente, possam resistir a poss\u00edveis novos eventos extremos.\u201d<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao come\u00e7o das obras, o Daer explica que a maioria das solu\u00e7\u00f5es foi aprovada, mas que ainda s\u00e3o esperadas justificativas por parte da empresa contratada quanto \u00e0 proposta de funda\u00e7\u00e3o, com estaca-raiz de 19 metros de profundidade na rocha, \u201co que n\u00e3o \u00e9 usual nesse tipo de obra.\u201d<\/p>\n<p>Por final, o departamento refor\u00e7a que a recomposi\u00e7\u00e3o do aterro sobre o arroio Guarda-Mor foi conclu\u00edda, \u201co que permite o tr\u00e1fego de ve\u00edculos no local at\u00e9 a conclus\u00e3o da nova ponte.\u201d<\/p>\n<p><i>Com informa\u00e7\u00f5es Metropoles<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As comunidades rurais de S\u00edtio dos Melos, S\u00edtio Alto, Santos Anjos, localizadas em Faxinal do Soturno, e de Ivor\u00e1, no Rio Grande do Sul, vivem existe pouco mais de um ano em situa\u00e7\u00e3o de isolamento, desde que a ponte no Km 32 da ERS-348 foi levada pelas enchentes de maio de 2024. 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